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Você já ouviu falar de um semiclássico?
Data de publicação: 08/02/2012

gol gti 89 Você já ouviu falar de um semiclássico?

Certamente você já viu algum carro antigo passeando com elegância pelas ruas da sua cidade ou já encontrou algum pela estrada com seu dono orgulhoso ao volante de sua relíquia reluzente, cheia de cromados e com placas pretas.

Cada vez mais comuns estão os encontros de clássicos e antigos, sendo um dos mais famosos do país o encontro anual em Águas de Lindoia, SP. Os antigos também têm sido usados em casamentos e celebrações, como a posse presidencial em Brasília no Aniversário de 450 anos da cidade de São Paulo, 450 carros antigos saíram da Av. Paulista e foram até o Anhembi… rodando, claro!

Segundo os clubes de carros antigos mais tradicionais, é considerado um carro clássico todo veículo com mais de 30 anos de fabricação; e este pode receber placa preta desde que esteja com alto percentual de originalidade definido pelo clube específico da marca (Ford, VW, Mercedes, Jaguar, Fiat, Dodge etc). Sim, estes são os antigos ou clássicos, mas você se pergunta: e os semiclássicos?

Bem, basicamente este termo é recente e foi criado para resolver o problema daqueles carros impecáveis, com menos de 30 anos de fabricação, muitas vezes com baixa quilometragem ou até guardados como Zero Km, por força do destino (partilha de bens, morte do dono) ou por vontade de quem o comprou para manter um exemplar de um veículo que ia sair de linha.

Desse modo, podemos ter entre esses um Monza, Santana, Landau, Kombi, Santa Matilde, Fusca “Itamar”, Opala, Passat, Escort e até um Vectra ou Gol. Ou seja, basicamente qualquer carro nacional ou importado com mais de 15 e menos de 30 anos em raro estado de conservação, claro.

Esse fenômeno já está criando um mercado à parte, fazendo com que o preço de um exemplar destes seja calculado de modo mais emocional que racional, atingindo o valor de um modelo Zero Km, não necessariamente da mesma categoria. Por exemplo, vi recentemente à venda um Opala Comodoro 1991, metálico, com cerca de 20 mil km rodados por R$ 41 mil. Já existem sites na Internet e lojas especializadas nesses modelos. Mesmo em jornais de grande circulação já existe a seção “Raridades”.

Algumas dessas “jóias” dividem espaço em lojas de carros novos e seminovos com Civic, Corolla, Palio, i30 e Citro?n C4 Pallas. Muitos desavisados e desinformados devem tomar um susto ao avistar aquele Monza “arrumadinho” ou “calçadinho de pneu” na loja e, ao perguntar o preço, ser informado que se trata de um Monza Classic 87 com 58 Mil Km rodados, pintura original, único dono que vale R$ 25 mil, quando na verdade o cidadão provavelmente “chutou” que iria levar o “bichão” por uns R$ 5 mil.

Na verdade é preciso gostar de carro, estar de olho no mercado e ter uma certa cultura de conservação para saber que o que é mais cuidado e raro pode valer mais. Caso contrário, qualquer Gol quadrado valeria os R$ 35 mil que podem ser pedidos por um GTi dos primeiros, azuis, ano 1989 ou 1990. Esse valor já paga quase um Agile básico.

Parece irracional pagar esse valor num Gol, Monza ou Opala? Não para quem de fato os deseja. Muitas vezes é o sonho de infância de algum garoto que na época não tinha nem habilitação nem dinheiro para adquirí-lo. No meu caso, por exemplo, com 11 a 12 anos de idade, eu namorava os Passat GTS Pointer vermelho Royal ou Vermelho Flash nas vitrines.

E, logo em seguida, meu sonho foi descontinuado pela VW. Minha única solução é ir atrás do meu sonho, estar preparado para encontrar quem tenha um em ótimas condições para me vender e chegar a um acordo, provavelmente não muito camarada, no preço. Dentro do que eu possa e esteja disposto a pagar, claro.

É óbvio que exageros estão surgindo e já há quem anuncie seu Santana 1995, embora pouquíssimo rodado, por módicos R$ 50 mil. E entre os autos que já viraram clássicos de fato, como Maverick GT V8 1977 ou Karmann Ghia, já há quem peça mais de R$ 80 mil.

Além de nostalgia e saudosismo, outra explicação para quem compra um semiclássico é a confiabiliade mecânica, a relativa facilidade em encontrar peças de reposição e mesmo o prazer na condução do carro. Existem carros que até hoje são gostosos de dirigir, oferecem bom torque e potência e muito conforto.

E são feitos com materiais já não mais utilizados, como chapas de aço mais espessas e veludo de primeiríssima nos bancos e laterais das portas. Exemplos são os Opala, Santana, Monza (um legítimo Opel na concepção), Del Rey ou Alfa Romeo 2300 Ti, entre outros. Obviamente que em alguns desses modelos, as preocupações com segurança ativa e passiva não era uma exigência na época. Em contrapartida eram muito mais leves e quem os guia deve estar ciente de suas limitações.

Estava lendo uma revista Quatro Rodas do ano passado e achei interessante o relato de uma jovem que investiu num Agile zero km, completo, que apresentou alguns problemas logo de cara. Devido a sua rotina de trabalho e estudo, seu avô solidário lhe emprestou o Santana 88, que surpreendeu a moça por seus recursos, conforto e robustez mecânica.

Nesta saraivada de Recalls que têm acontecido e também devido a pós-vendas ruins, não são raros os relatos de pessoas que trocaram seu carro com mais de 20 anos por um zero km e se arrependeram. Do ponto de vista do investimento, ou negócio, quem adquiriu um semiclássico há cerca de 5 anos e soube negociar ou aproveitar a oportunidade, pode ter visto sua aquisição valorizar mais de 100%, ou seja, mais que dobrar de valor.

Mais do que fundos DI, ações ou poupança no mesmo período! E você, meu amigo, o que diz a respeito desses consumidores que pagam fortunas com carros que têm de 15 a 30 anos de fabricação? Saudosistas, visionários ou malucos? Você toparia?

Por Gerson Brusco Gonzalez

 

 

 

Fonte: Noticias Automotivas


 
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